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segunda-feira, 17 de junho de 2024

Trabalha, meu bem

Trabalha,

Trabalha, meu bem, 

Por um futuro incerto.


Trabalha, 

E ocupa o teu tempo.

Já não te sinto perto.


Trabalha, 

E não percas tempo,

Pelo que tens buscado.


Trabalha, 

Entrega o teu tempo

Em troca de uns trocados.


Trabalha

Pra fazer mais rico 

Um porco milionário. 


Trabalha, 

Porque corre o tempo,

Relógio e calendário.


Trabalha, 

E crê que algum dia 

Serás o milionário.


Trabalha, 

Paga pelos meios 

Pra ir de casa ao trabalho.


Trabalha, 

E no teu descanso

Consome o teu cascalho.


Trabalha,

E trabalha mais,

Mais trabalha e consome.


Consome, 

Produz e consome,

Trabalha e mais consome.


Trabalha,

Consome e não vivas.

Só trabalha e consome.


Trabalha!

Pra viver, trabalhas?

Vives pra trabalhar!


Chico Freitas

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Petto distrutto

Ho scelto di cercare 
ciò che rimane di me 
sotto queste pietre 
sotto questa polvere 
che c'è dentro 
il mio petto distrutto 

E provo di trovare 
qualche posto per te 
sotto questa pioggia 
sotto queste nuvole 
che ci sono adesso 
nei miei giorni confusi 

Pieno di niente 
vuoto di tutto 
petto distrutto 
ho paura di trovare 
un amore brutto 

Per questo cerco 
tra questa gente 
così indifferente 
ho bisogno di volermi 
profondamente. 

Chico Freitas

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Castelo de areia

Felicidade é coisa estranha! 
Quando vem nos arrebata, 
nos eleva, nos leva a voar alto. 
A felicidade nos faz querer mais, 
sempre e cada vez mais. 
E é nesse querer que se quebra a cara. 
Porque quanto mais a gente a busca, 
menos ela quer ser encontrada. 
Felicidade é um castelo de areia na praia: 
a gente mesmo o faz, e o faz com esmero,
dando o melhor de si,
constrói o belo, como se nele fosse habitar, 
até que vem a onda e leva-o embora, 
ele desmorona. 
A felicidade sempre desmorona. 
Ela é sempre efêmera, nunca dura, 
é feita de momentos. 
E se a gente não entende isso
e quer que dure para sempre, 
o coração, coitado! sempre partido. 
E isso aqui digo, 
muito embora não o tenha ainda aprendido. 
Meu castelo desmorona
e eu fico sem lugar pra morar. 
Ah, se houvesse cimento pra construir felicidade! 

Chico Freitas

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Ali di mille farfalle blu

Ali di mille farfalle blu
cadute per terra vanno su
quando soffia il vento,
nuovo movimento,
volano riprendendo la vita
mai finita.

Quando muore una farfalla,
non importa blu o gialla,
ali cadono ma il vento
muove un nuovo sentimento:
che la polvere
può rivivere.

Rivivere,
solo il vento fa rivivere.
Volare,
l'anima col vento può volare.

Volare...

Chico Freitas

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Manga amarela

Que mundo é esse
em que sonhar é coisa de adolescente,
amar é piegas
e a felicidade se busca nos lugares errados?

Que raio de mundo é esse
em que amadurecer é renunciar
às ideias e ideais da juventude,
aos desejos, aos sonhos
de amor e partilha
de uma vida a dois?

Que droga de mundo é esse
em que é melhor estar só
do que bem acompanhado?

Não é nesse mundo que eu quero viver...

Vou crescendo, amadurecendo
e sinto falta do espírito adolescente
que sonhava, que suspirava e pulsava.

Será que é tarde para voltar a ser
o jovem que eu não quero deixar morrer?

Chico Freitas

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A vista do vale cinzento ou relato de um prisioneiro sob o mar

Costumava olhar pro alto e ver o mar,
um mar azul com brancas ondas espumosas. 
Olhava admirado e calmo aquele mar. 

Hoje olho pro alto e vejo um rio,  
um rio de margens bem marcadas, 
de um cinza petrificante, estreitamento sufocante. 

O mar, reduzido a um rio, pela cidade que cresce, 
e a cidade, quando mais sobe, mais submerge.
As águas que dele descem já não molham mais, inundam. 

Rio, meu rio, meu azul perdido, roubado
pelos donos da cidade, que constroem destruição. 
Lucrativos pedaços de prisão a metros quadrados.

Azul marginado, pressionado, suprimido, sem espaço,
para dar espaço ao avanço que avança para o alto,
enquanto embaixo, no profundo, nada pode sair do lugar.

Azul celeste roubado, negra noite sem lanternas,
cada vez mais cinza, cada vez mais pálido.
Eu que dizia mar já digo rio, mas há quem diga céu.

Chico Freitas 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Fa paura

Ma che paura fa!
Che paura fa
la verità!

Ciò che nessuno sa...
che nessuna sa
poi lo verrà.

Nascosto tra i muri
della città,
c'è un segreto più grande
di questa realtà.

Mi fa paura
questa congiura,
senza anima e senza pietà.
Mi fa paura,
notte insicura,
buia, di piena infelicità.

Non posso dormire ormai...
se dormo non mi sveglio mai...
mai... mai...

Chico Freitas

sábado, 1 de junho de 2013

Angelo

Questo sabato non stai.
Non so bene cosa fai
per riempire un giorno vuoto,
come un mare in cui non nuoto.

Poi stasera non vorrai
quello che non trovi mai.
Accettare il tuo destino
forse è il meglio cammino.

Se non trovi mai il coraggio
di lottare contro ciò che ti fa male.
E se non vedi che il tuo sbaglio
è non aver scoperto che quello non vale.

Non vedi che noi siamo uguali,
non sai che tieni due ali.

Vola,
angelo!
Vola
libero!
Vola,
angelo!
Vola
libero!

Chico Freitas

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Diferenças


E se o meu azul não for o seu azul
e o seu vermelho não for o meu vermelho,
nem meu amarelo seja o seu,
nem o meu verde?
E se cada um vê o mundo do próprio jeito?

Então somos todos muito diferentes!
Ah, quão diferentes somos!
Se meu vejo o mundo de um jeito
e você o vê de outro,
vivemos em mundos diferentes?

Não! São só formas distintas de ver o mesmo mundo, eu acho.
Se buscarmos, encontraremos semelhanças e também diferenças.
E veremos o quão parecidos e diferentes podemos ser.

Mas também que importa?
Tudo o que importa é o querer,
é fazer meu mundo casar com o seu.

Chico Freitas

domingo, 26 de agosto de 2012

Gracias por partir


Por hacerme feliz como nunca antes,
por quizás un día darme algo de amor,
por alzarme a las estrellas por instantes
y dejarme disfrutar de tu sabor,
te perdono.

Por ser la razón de toda mi alegría,
por hacer miles de planes junto a mí,
por ser la inspiración de mi poesía,
por hacer tantas promesas sin cumplir,
te perdono.

Te perdono por los días
en que tu amor era mío,
por decir que me querías.

Pero nada puede ser peor que la ilusión.

Por romperme el corazón en mil pedazos,
por no estar cuando yo te necesitaba,
por negarme aquel último abrazo
y arrancarme aquellos sueños que buscaba,
te agradezco.

Por herirme brutalmente en el alma,
traicionándome sin ninguna piedad,
por retarme la paciencia y la calma,
por tratarme con total atrocidad,
te agradezco.

Gracias por partir,
por dejarme solo,
gracias por irte de aquí.

Porque me has librado así de la ilusión.

Chico Freitas

sábado, 24 de dezembro de 2011

Era uma vez

Era uma vez um jovem príncipe
que vivia numa torre de marfim,
trancado por sua madrasta perversa,
e sonhava encontrar seu príncipe encantado.

Um belo dia logrou escapar
e saiu pelo bosque
em direção à cidade,
em busca de seu sonho dourado.

No meio do caminho viu um ogro,
que o fitava intensamente;
O príncipe, de medo, correu.

Chegou à cidade e lá viveu
por muito tempo
e vários príncipes conheceu.

Beijou, amou, deu, chorou.

Deu-se conta de que príncipes encantados não existem
ou, se existem, estão mais ocupados
tratando de tornar-se cada vez mais encantados
para ninguém.

E o jovem príncipe, desiludido,
deixou a cidade e casou-se com o ogro.

E foram felizes para sempre,
ou apenas em alguns momentos.

Chico Freitas

domingo, 18 de dezembro de 2011

What the hell means a life?

I don't wanna think,
just wanna talk.

I don't wanna breath,
don't wanna eat,
just wanna drink.

I don't wanna stay,
don't wanna go.

I don't wanna see the reality,
just wanna close my eyes.

I just wanna sleep,
don't wanna wake up anymore.

I don't wanna live,
just wanna cry.

I don't wanna answer anything,
just wanna ask...
What the hell means a life?

Chico Freitas

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Águas passadas

Rio que corre e me leva,
que me leva embora
lenta e tristemente,
exceto quando há corredeiras.

Já faz algum tempo que embarquei
sozinho em meu barco,
já estou longe de onde parti.

Parti das corredeiras que me davam medo,
mas isto já são águas passadas.

Mas as marcas das pedras ainda estão no casco
e ainda há uma poça no fundo do barco.
É água das corredeiras,
que ainda molha meus pés descalços
e apodrece aos poucos a madeira do barco.

Rio que me leva pra longe,
rio que corre agora manso,
que leva uma vida.

Rio que corre em mim
e vai.

Chico Freitas

domingo, 4 de dezembro de 2011

Não estou escrevendo

Só se escreve quando se ama
ou quando dói.

Escreve-se melhor se a dor domina;
bem melhor na dor que no amor,
embora amor e dor se relacionam
tanto na semântica quanto na rima.
Mas este poema não rima com nada,
não tem métrica, não tem nada,
nada mesmo!

É que não tenho mais amor
e, portanto, não há dor alguma em meu peito.
Estou curado, finalmente!
Droga!
Já curei-me!

Ou talvez eu esteja enganado;
talvez eu sinta dor e não sei;
talvez me angustie o fato de não ter o que escrever.

Mas cá estou... ESCREVENDO!
Escrevendo sobre não escrever,
mas escrevo.
É porque me dói não escrever
e amo escrever.

Já vê como amor e dor não existem um sem outro?

Chico Freitas

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sem luz nem nada

De repente,
sombras.

E, logo,
preto.

Está tudo escuro
e nada vejo.

Negro céu sobre minha cabeça,
negro chão sob meus pés.

Tudo preto.

Preto céu que de estrelas não brilha.

As estrelas despencaram noutro dia
e, sem seus gases, se apagaram.

E a lua? Não sei, mataram-na, talvez.

Não encontro saída,
não enxergo o caminho.

Estou perdido.

Tenho os olhos bem abertos,
mas nada vejo além de trevas.

Como cego, vou tateando à minha volta,
e não toco em nada.

Nenhum passo posso dar,
porque nunca se sabe em que buraco se irá cair.

E não sei se foi a luz que me orientava a que se apagou
ou se minha alma a que enegreceu.

Só sei que tudo é escuro agora.

Chico Freitas

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sóbrio

É quando consigo extravasar,
é quando consigo por para fora
o que está entalado aqui dentro,
o que não passa da garganta e me sufoca.

É quando bebo que digo a verdade que há dentro,
coisas que eu não sei dizer quando estou sóbrio.

Sóbrio, a dor fica no peito, latente, torturante;
quando não, a dor me abandona, está lá fora, distante.

O álcool não é o melhor amigo, nem o melhor remédio,
mas ajuda a esquecer quando não vejo outra saída.

É quando consigo sentir,
é quando consigo não sentir
o que está dentro e não sai,
o que não sai quando estou sóbrio.

Chico Freitas

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

I hate myself for loving you

Do you remember when I said I forgave you?
Then, I throw it away, I don't forgive you, baby.

Do you remember when I said I still loved you?
So, I undo it. I don't wanna see you again.
Please, keep your distance, don't come near me.

Now I'm not fine,
I wanna lose my mind on the floor,
I'm gonna dance until I forget
all the characters of your name.

I hate the tears you made me cry,
but now I cry just for myself,
because...

I hate myself for loving you,
I wasted my time living only for you.
How did I become so fool?
Now, I don't wanna think of you anymore.
I'm gonna forget your face.

Do you remember when I said I needed you?
So, forget it, baby!

Chico Freitas

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quando o coração se cansa

Basta!
Não dá mais, chega!
Estou cansado, vá embora!
Já chega, basta!

Não posso mais manter em mim o sentimento
que você não mais quis, negou, desprezou,
e que sobreviveu por meio da esperança
que havia em mim, que agora não há mais.

Já estou de saco cheio de te esperar!
Você diz querer me ver, mas nunca vem,
sempre há um pretexto para ficar aí,
distante, longe de mim e da lembrança.

Talvez você tenha medo de fraquejar
e não queira admitir que ainda me quer,
mas agora estou de saco cheio, basta!
Cansei de esperar que você se decida.

Vou viver, independentemente do desejo
de estar do seu lado outra vez e te amar.
Vou recolher minhas asas quebradas, colá-las
e voar por novos horizontes, novos rumos...
Sem você!

Chega!
Basta!
Droga!

Chico Freitas

domingo, 2 de outubro de 2011

Não vim ao mundo a passeio

Não vim ao mundo a passeio!
Uns vieram para enriquecer
e manter girando a roda;
outros para lidar com as gentes,
informando, entretendo ou controlando;
alguns vieram para fazer maldades,
machucar as pessoas, destruir lares;
há também aqueles que vieram para mover
as manivelas, circuitos e engrenagens...
E eu? talvez tenha algo a ensinar,
muito o que aprender!
Tomara não ter vindo só para sofrer!
Mas o que é certo é que sou daqueles
que vieram para amar
e fazer feliz o ser amado...
E como poderia eu me esquecer
que há, sim, aqueles que vieram ao mundo
só de passagem.

Chico Freitas

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sei lá!

Acho que cansei de te esperar,
mas ainda não sei ao certo.
Continuo confuso, perdido, desnorteado...
coração e mente revirados, sem sentido!

Pensei que você fosse dar só uma volta,
mas foi há tanto tempo e não voltou,
talvez nem volte, se perca no caminho.
Já é tarde, estou cansado, sonolento!

Ou quem sabe um dia você queira voltar,
mas eu posso não estar mais te esperando,
posso desistir, ir a outro lugar, sei lá!

Ou talvez eu fique aqui e tranque as portas,
mas não sei, estou confuso, assustado...
É incerto, mas acho que cansei de te esperar, sei lá!

Chico Freitas